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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Florbela ( vida )

Filha de Antónia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa, no Alentejo. O seu pai herdou a profissão do sapateiro, mas passou a trabalhar como antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor, fotógrafo ecinematografista. Foi um dos introdutores do “Vitascópio de Edison” em Portugal[2].

Seu pai era casado com Mariana do Carmo Toscano[3]. A sua esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antónia da Conceição Lobo, de condição humilde. Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos de pai incógnito[4]. Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa, e Mariana passou a sermadrinha de baptismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha em cartório só dezoito anos depois da morte dela[2].

Entre 1899 e 1908, Florbela frequentou a escola primária em Vila Viçosa[4]. Foi naquele tempo que passou a assinar os seus textos Flor d’Alma da Conceição[5]. As suas primeiras composições poéticas datam dos anos 1903-1904[2]: o poema “A Vida e a Morte”, o soneto em redondilha maior em homenagem ao irmão Apeles, e um poema escrito por ocasião do aniversário do pai. Em 1907, Florbela escreveu o seu primeiro conto: “Mamã!” No ano seguinte, faleceu a sua mãe, Antónia, com apenas vinte e nove anos[2].

Flor ingressou então no Liceu Masculino André de Gouveia em Évora, onde permaneceu até 1912[6]. Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário[5]. Devido à Revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, os Espanca mudaram-se paraLisboa[2]. Florbela interrompeu os estudos mas aproveitou o tempo para leituras (Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Garrett)[2]

Versos de Florbela.

Em 1913 casou-se em Évora com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. O casal morou primeiro em Redondo[2]. Em 1915instalou-se na casa dos Espanca em Évora, por causa das dificuldades financeiras[5].

Em 1916, de volta a Redondo, a poetisa reuniu uma selecção da sua produção poética desde 1915, inaugurando assim o projeto Trocando Olhares[2]. A coletânea de oitenta e cinco poemas e três contos serviu-lhe mais tarde como ponto de partida para futuras publicações[7]. Na época, as primeiras tentativas de promover as suas poesias falharam.

No mesmo ano, Florbela iniciou a colaborar como jornalista em Modas & Bordados (suplemento de O Século de Lisboa), em Notícias de Évora e em A Voz Pública, também evorense[2]. A poetisa regressou de novo a esta cidade em 1917. Completou o 11º ano do Curso Complementar de Letras e matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa[5]. Foi uma das catorze mulheres entre trezentos e quarenta e sete alunos inscritos[4].

Um ano mais tarde a escritora sofreu as consequências de um aborto involuntário, que lhe teria infectado os ovários e os pulmões[2]. Mudou-se para Quelfes (Olhão), onde apresentou os primeiros sinais sérios de neurose[5].

Em 1919 saiu finalmente a sua primeira obra, Livro de Mágoas, antologia de poemas. A tiragem (duzentos exemplares[2]) esgotou-se rapidamente[5]. No mesmo ano, sendo ainda casada, a escritora passou a viver com António José Marques Guimarães[5], alferes de Artilharia da Guarda Republicana.

Em meados do 1920 abandonou os estudos na faculdade do Direito. No ano seguinte, divorciou-se de Moutinho para casar com o amante. O casal passou a residir no Porto, mas, no ano seguinte, transferiu-se para Lisboa, onde Guimarães se tornou chefe de gabinete do Ministro do Exército[2].

Em 1922, a 1 de Agosto, a recém fundada Seara Nova publicou o seu soneto “Prince charmant...”, dedicado a Raul Proença[2]. Em Janeiro de 1923 veio a lume a sua segunda coletânea de sonetos, Livro de Sóror Saudade, edição paga pelo pai da poetisa. Para sobreviver, Florbela começou a dar aulas particulares de português[2].

Em 1925, após mais um aborto, divorciou-se pela segunda vez[5]. Esta situação abalou-a muito. O seu ex-marido, António Guimarães, abriu mais tarde uma agência, “Recortes”, que coleccionava notas e artigos sobre vários autores. O seu espólio pessoal reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981. Ao todo são 133 recortes[5].

Ainda em 1925, a poetisa casou com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921 e com quem vivia desde 1924. O casamento decorreu em Matosinhos, no Distrito do Porto, onde o casal passou a morar a partir de 1926[2]

Versos de Florbela

Versos de Florbela

Versos de Florbela cantado por Fagner.