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Filha de Antónia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894 em Vila Viçosa, no Alentejo. O seu pai herdou a profissão do sapateiro, mas passou a trabalhar como antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor, fotógrafo ecinematografista. Foi um dos introdutores do “Vitascópio de Edison” em Portugal[2].
Seu pai era casado com Mariana do Carmo Toscano[3]. A sua esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antónia da Conceição Lobo, de condição humilde. Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos de pai incógnito[4]. Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa, e Mariana passou a sermadrinha de baptismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha em cartório só dezoito anos depois da morte dela[2].
Entre 1899 e 1908, Florbela frequentou a escola primária em Vila Viçosa[4]. Foi naquele tempo que passou a assinar os seus textos Flor d’Alma da Conceição[5]. As suas primeiras composições poéticas datam dos anos 1903-1904[2]: o poema “A Vida e a Morte”, o soneto em redondilha maior em homenagem ao irmão Apeles, e um poema escrito por ocasião do aniversário do pai. Em 1907, Florbela escreveu o seu primeiro conto: “Mamã!” No ano seguinte, faleceu a sua mãe, Antónia, com apenas vinte e nove anos[2].
Flor ingressou então no Liceu Masculino André de Gouveia em Évora, onde permaneceu até 1912[6]. Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário[5]. Devido à Revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, os Espanca mudaram-se paraLisboa[2]. Florbela interrompeu os estudos mas aproveitou o tempo para leituras (Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Garrett)[2]

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