
É evidente que o livro Sombras de reis barbudos faz uma relação entre os
tempos de ditadura no Brasil e seu enredo fantástico. O livro funciona como
uma grande alegoria que utiliza metáforas para expressar as situações vividas
na Ditadura Militar Brasileira ocorrida entre os anos de 1964 e 1985.
A história começa numa narração em primeira pessoa, com o menino Lucas, de
onze anos, falando de um tempo passado, porém um passado recente, não
muito longínquo, onde aconteceram coisas horríveis que ele se propõe a contar
agora a pedido de sua mãe. Apesar da afirmação de que no começo da
narrativa Lucas tem onze anos, a noção de tempo não é clara na história, não
sabemos se do começo da história até o presente narrativo passaram-se muitos
ou poucos anos.
Lucas é um personagem esférico, porém esta característica é obtida aos
poucos. No começo da história, Lucas é ainda uma criança e suas atitudes não
ultrapassam as atitudes de uma criança. Contudo, ao longo do enredo, Lucas
cresce e suas atitudes não são nada previsíveis. No começo da trama, Lucas é
marcado apenas por ter uma opinião de observação acerca de tudo que lhe
acontece e ao longo da mesma começa a participar do que acontece e sua
opinião cresce e torna-se crítica.
Tudo começa quando tio Baltazar (o tio do narrador) chega na cidade. Baltazar
é um homem de muita fama, muitas fotografias, e, se transpusermos a história
do livro na ditadura brasileira, ele é o homem que, generalizando, representa a
elite brasileira. Seu tio chega com a idéia de instalar uma companhia na cidade,
porém o caráter desta não é nunca revelado, é apenas a Companhia
Melhoramentos de Taitara. Baltazar é recebido com muita festa, porém um
desapontamento por parte de seu sobrinho, pois nele falta um braço. Isso
mostra que a elite era vista com grande admiração, porém não era completa e
possuía defeitos

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